O ?sertão vai virar mar? é um dos mais famosos versos da música ?Sobradinho?, composta por Sá e Guarabyra em 1977. A canção tem tom crítico e fala sobre as usinas hidrelétricas construídas no Brasil.
A imagem do Sertão alagado, só mesmo em ficção. Algo, em princípio, impossível de acontecer. Só que nos tempos atuais, a velocidade das mudanças climáticas está derrubando teorias que sobreviveram séculos sobre as regras da natureza.

Quando falamos em Antártica, ou Polo Norte, o que imaginamos? Gelo, icebergues, ursos polares, pinguins, leões marinhos. Até esquimós e iglus. Bem, isso é o óbvio. Só que as coisas estão mudando nesses lugares. E mais rapidamente que imaginamos.
Os continentes gelados têm algum tipo de vegetação nativa que se adapta ao frio extremo. No caso da Antártica, a camada de gelo convive com a grama chamada de ?Cabelo Antártico? e a Erva Pérola. O fenômeno que se verifica na Antártica é que essas vegetações nativas ainda estão lá, firmes e fortes. A diferença é que estão crescendo muito mais que o normal.
Motivo?
A temperatura está aumentando. Um estudo revelou que nos últimos 50 anos a vegetação quintuplicou em tamanho. E, pra agravar mais a situação, a população de focas está caindo. Ou seja, menos consumo das plantas pelos animais.
E falando em animais, os caranguejos, prato muito popular no lares do Chile, país com proximidade da Antártica, estão se afastando da costa do país sul americano e seguindo para a Antártica. O aquecimento global já começou a ameaçar de morte um dos ecossistemas marinhos mais singulares do planeta. Os mares mais quentes, na península Antártica, estão atraindo predadores que até então não existiam ali, como o carangueijo "Centolla". Os tubarões, e as arraias, podem ser os próximos a chegar!

Como na Antártida as águas rasas são mais frias que as profundas, os caranguejos-gigantes nunca haviam cruzado a fossa oceânica que separa o continente branco da América do Sul. No final dos anos 1980, porém, cientistas começaram a capturar grandes caranguejos predadores na plataforma continental antártica. Agora, outras espécies de Centolla estão subindo rumo às águas mais rasas.
A mudança climática está a ponto de destruir o ecossistema da plataforma continental Antártica, que tem evoluído isolada do resto do mundo, há milhões de anos. Não há como negar que nosso ecossistema está mudando. A biodiversidade está sendo pressionada e o equilíbrio ecológico ameaçado. E os sinais vêm do lugar mais improvável. Dos extremos gelados. Improvável, sim. Porém, muito real.
Não podemos ignorar a voz da natureza. O problema vai ser quando começarmos a escutar seus gritos, todos os dias, o tempo todo.
Hora de agir. Antes que seja tarde. E que essa situação se transforme numa ?fria? global.