builderall

O que um peixe tem a ver com um avião? Se forçamos uma barra, o formato do corpo do peixe e a fuselagem de um avião são bem semelhantes. A velocidade de deslocamento também é um denominador comum.


O que mais pode ser parecido?


Graças à tecnologia, um Boeing e um tubarão compartilham uma particularidade. Só que para um, o benefício, que é natural, está sendo adaptado para o outro de forma artificial.


Essa descoberta começou no centro de pesquisas de empresa aérea alemã, a Lufthansa em parceria com a empresa química, também alemã, Basf.


Quanto menor for a resistência de atrito de uma aeronave no ar, menor será o consumo de combustível. Assim, usando a natureza como modelo, a indústria da aviação tem pesquisado intensamente maneiras de reduzir o arrasto aerodinâmico por muitos anos.


Aonde é que o tubarão entra nessa viagem?


Lufthansa e Basf são autoras de um projeto conjunto: o AeroSHARK. Trata-se de um filme de superfície que imita a estrutura fina da pele de um tubarão, que foi aplicado em toda a frota de cargueiros da Lufthansa Cargo, tornando cada aeronave mais econômica. E, o mais importante, reduzindo as emissões na atmosfera.


A estrutura da superfície é composta por riblets, pequenos pedaços de metal, medindo cerca de 50 micrômetros, que imitam as propriedades da pele de tubarão. Isso otimiza a aerodinâmica em partes relacionadas ao fluxo da aeronave.


Para os cargueiros da Lufthansa, estima-se uma redução do arrasto, ou seja, a resistência ao vento, de mais de um por cento. Para toda a frota de dez aeronaves, isso se traduz em economia anual de cerca de 3.700 toneladas de querosene. E pouco menos de 11.700 toneladas de emissões de CO2, o que equivale a 48 voos de carga individuais de Frankfurt a Xangai, na China.



Uma aeronave validou o potencial de economia da tecnologia em serviços regulares de longo curso durante mais de 1.500 horas de voo. Isso forneceu uma prova de que as emissões foram reduzidas em cerca de 0,8% graças à modificação da pele de tubarão.


Essa novidade cruzou o mundo e está sendo adotada pela empresa japonesa ANA que já iniciou a aplicação dos filmes em aviões de sua frota.


Se a moda pega, as emissões provenientes da aviação comercial podem ter uma redução que, mesmo não sendo de grande volume, se somada a outras iniciativas do setor para reduzir o impacto da queima diária de querosene de aviação, os benefícios podem alcançar grandes distâncias.