O presidente Jimmy Carter chegou à Casa Branca em 1977 quando o mundo vivia mais uma crise de petróleo, uma das principais fontes energéticas do planeta. Isso numa época que pouco se falava, ou muito menos se fazia, para pensar em fontes alternativas ao petróleo, e o carvão.
Naquela época, a Guerra do Yom Kipur levou a Organização dos Produtores de Petróleo, a OPEP, a limitar o fornecimento do produto para o mundo. Os americanos, acostumados a gasolina barata, carros enormes e nada economicos, e eletricidade subsidiada, sentiram o impacto no estilo de vida. E acima de tudo, no bolso.
A inflação saiu de controle, o desemprego atingiu milhares, e o inimaginável: filas em postos de gasolina para abastecer os carros. Uma das principais características dos Estados Unidos é a mobilidade. Fora dos grandes centros, o estilo de vida americano quase que obriga cada cidadão a ter um carro. A expansão e ocupação do território teve como base o acesso dos americanos a um veículo.
Carter não tinha poder para influenciar os países produtores de petróleo. E o país ainda não produzia petróleo o suficiente para o próprio consumo. A solução foi buscar caminhos alternativos. Por mais incrível que possa parecer, a tecnologia para produzir energia a partir de placas de captação de raios solares já era uma realidade. Carter viu na iniciativa um caminho inovador e com grande potencial de aprovação e aderência da população.
Ao entrar na Casa Branca, o presidente deu um passo ambicioso e arrojado. Mandou instalar placas solares nos telhados da casa onde vive e trabalha o homem mais poderoso do mundo. Naquela época, a energia produzida era o suficiente para iluminar apenas partes da residência. Mas a eficácia, e alcance, eram menos importantes que a jogada de marketing. Era preciso convencer os americanos a embarcar naquela aventura em direção de um futuro de independência energética. E,por tabela, de sustentabilidade, uma preocupação que ainda engatinhava.
A ideia foi boa, mas a presidência de Carter foi engolida em pouco tempo por crises sem precedentes como a tomada da embaixada americana em Teerã pela revolução revolucionária islâmica, que manteve diplomatas americanos como reféns. E, para piorar, uma tentativa de resgate por uma equipe de elite militar fracassou de forma humilhante. Em meio a esse caos, a estratégia de conduzir os americanos a migrarem para uma forma limpa de energia, ficou apenas no papel.
Carter não conseguiu se reeleger e entregou as chaves da Casa Branca para Ronald Reagan, candidato republicano, partido íntimo de corporações, empresas, ou seja, da iniciativa privada. Insatisfeitos com o flerte com a energia solar, as lideranças das empresas produtoras de petróleo pressionaram Reagan a abandonar o projeto.
Em pouco tempo, as tomadas das placas solares foram desligas. E o equipamento, virou sucata.
O que teria acontecido se Carter tivesse ficado oito anos na Casa Branca, em período menos caótico? Qual teria sido o final dessa história?