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A aviação é responsável por quase 3% do C02 despejado na atmosfera todos os anos por empresas aéreas de todo o mundo. Além dos voos comerciais, são contabilizados também as operações militares, entrega de carga e os jatinhos particulares que levam os ricos e famosos aos seus destinos, um luxo e conforto que deixam, junto aos quase 100.000 pousos e decolagens em todos os continentes diariamente, um rastro de contaminação atmosférica considerável.


Apesar do impacto ambiental permanente, há um pequeno feixe de luz ao final desse túnel. E essa luz vem de uma das rotas aéreas mais movimentadas do mundo, a conexão Europa-América do Norte - que contabiliza 500.000 voos anuais. Não há dúvida que esses voos queimam milhares de litros de querosene de aviação no ar. Mas graças a um fenômeno meteorológico, o impacto é um pouco menor.


Em 1920, o meteorologista japonês, Wasaburu Oishi, descobriu uma corrente de vento que soprava da América do Norte em direção do continente europeu, com ventos de 240km por hora. O curioso é que a corrente só acontecia na direção leste, seguindo o movimento de circulação da Terra. A descoberta da corrente, que é chamada de Jet Stream, e também de Corrente do Golfo ? corrente marítima quente originária do Golfo do México ? foi descoberta no início do século quando aviões tinham apenas utilidade militar, sem falar que aviões ainda não tinham autonomia, e nem tinham sido testados, na travessia do Atlântico Norte, algo que só aconteceria em 1927 quando Charles Lindbergh fez o primeiro voo solo entre Nova York e Paris.


Uma vez que a era dos jatos chegou nos anos 60, o planejamento dos voos transcontinentais pegou carona no Jet Stream. Motivo? Simples. A força do vento, e o uso da novidade tecnológica, a pressurização, que permitiu voar a 10.000 km de altura, empurrado pelo forte vento e baixa turbulência. O resultado prático é que aviões chegam mais rápido na Europa. E, o mais importante, consomem bem menos combustível. O meio ambiente agradece!


Na prática, o que acaba acontecendo é que o fluxo de voos originários de aeroportos americanos para Londres, Paris, Frankfurt, todos seguem em fila indiana, um atrás do outro, monitorados por GPS, para manter uma distância segura entre eles. Essa configuração de deslocamento, por conta de condições meteorológicas, é única no mundo. A organização, e precisão de deslocamento, é bem diferente do zig-zag de voos comerciais que povoam os céus de todos os continentes do mundo.