O aumento sistemático da temperatura em todo o mundo está alimentando longos períodos de estiagem. Falta de chuva, secas prolongadas, incêndios florestais... A crise climática desconhece fronteiras, países, idiomas. Nada mais é como antes. Previsões meteorológicas muitas vezes acabam em decepções. A coisa só piora.
A Amazônia vem enfrentando incêndios florestais, queimadas criminosas e muita falta de chuva. O resultado vem sendo a redução drástica do nível de água do Rio Solimões. As imagens são assustadoras. A imponência e pujança do Rio Solimões, que junto ao rio Negro dão origem ao maior curso d?agua brasileiro e mais extenso do mundo, o rio Amazonas, ficou irreconhecível. O nível d?agua chegou a -0,94 metros, o nível mais baixo em 40 anos. O que mais impressiona é o longo período sem um alívio.
A redução hídrica foi não impactante que ruínas, do que foi um dia o Forte São Francisco Xavier da Tabatinga, no Alto Solimões, estão completamente aparentes. O forte foi construído no século XVIII, peça chave para o domínio português na região das inserções dos colonizadores espanhóis. Uma relíquia histórica disponível, ao ar livre, para a apreciação e visitação de estudiosos de história, e arqueólogos.
Ao mesmo tempo que vivemos essa situação atípica no Brasil, lá no hemisfério norte, na Europa, um cenário semelhante se pronunciou. Três anos seguidos de forte secas atingiram em cheio a Grécia, no Mediterrâneo. O lago Mornos, corpo artificial criado nos anos 70, para formar uma rede de reservatórios para fornecer água para a capital Atenas, praticamente secou. É o nível mais baixo desde 2008. O mais surpreendente é que a estiagem permite que sejam observados vestígios de um vilarejo, Kallio, local que foi alagado para dar lugar ao lago Mornos.
Moradores das 70 casas que ali existiam foram até o local para testemunhar o fenômeno e rever suas antigas residências. O que mais os preocupa é que se a seca perdurar por muito mais tempo, o lago Mornos não terá água o suficiente para abastecer os 3.6 milhões de habitantes da capital grega. O lago já teve um nível de 1.13 bilhões de metros cúbicos de capacidade e hoje a marca mal chega a 678 milhões.
Só nos resta observar e aguardar se águas vão rolar, lá e cá, para reverter esse preocupante quadro. A natureza, e seus habitantes, agradecem. Mas temos também que fazer a nossa parte e lutar por mais sustentabilidade.