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Crianças brincando ao ar livre, expostas ao sol, correndo em campos abertos. Essas são imagens clássicas de uma infância saudável, sem compromissos, livres leves e soltas.


Essa é uma realidade do passado. Hoje, a temperatura mudou. E com ela, vieram as consequências.


Um estudo recém publicado pelo Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância, a UNICEF, revela que as crianças de hoje estão mais vulneráveis que as gerações de seus avós quando se fala de exposição ao calor extremo.


A crise climática que inflaciona diariamente os termômetros de todo o mundo, com novos recordes que parecem permanentes. Adultos são mais resilientes, mas as crianças não têm a vivência, nem as ferramentas, para se protegerem.


Os números assustam. Meio bilhão de crianças estão expostas à temperaturas extremas. O mais alarmante é que esse nível é duas vezes maior do que há duas décadas. A vulnerabilidade é mais intensa na África em países como Mali, Niger, Senegal, Sudão do Sul e  Sudão. Uma em cada 5 crianças no continente, ou seja, 466 milhões, vivem metade do ano sob temperatura na casa dos 35C. Lembrando que a maioria não tem alternativas para compensar o aumento das temperaturas.


Os números não mentem. Em 16 países analisados, hoje as crianças enfrentam um mês extra no ano de temperatura extrema. O Sudão, por exemplo, tem 165 dias de calor extremo comparado a 110 dias em 1960. Os números são globais. No Paraguai, os dias de calor muito forte foi de 36 para 71. Na América Latina, como um todo, 48 milhões de crianças estão expostas ao calor extremo.


Em 100 países, mais de metade das crianças enfrentam hoje o dobro das ondas de calor que há 60 anos. Nos Estados Unidos, por exemplo, 36 milhões de crianças estão expostas ao dobro do número de ondas de calor em comparação com há 60 anos, e 5,7 milhões estão expostas ao triplo deste número.


Nessa condições, as crianças estão expostas à má nutrição, o que as deixa igualmente vulneráveis a doenças infecciosas como malária e dengue. Isso sem falar nas mulheres que, uma vez grávidas, também correm o risco de passarem por gravidez de risco.


As mudanças climáticas não discriminam. Estamos todos na mira. Cabe a nós mitigar a crise, mas com um olhar especial para as crianças. Elas não sabem como lidar com as regras dessa brincadeira de adultos.