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Viajar de avião é algo tão banal na vida contemporânea como andar de carro ou de ônibus. Os navios, que já dominaram os mares transportando pessoas pelo mundo, hoje se restringem a movimentação de carga e viagens de prazer, como cruzeiros.


O que pouca gente sabe, ou lembra, é que no início do século passado, antes do avião ser uma forma popular de levar passageiros para os mais variados destinos, quem explorava essa nova tecnologia era o setor militar. Quem voava por fora, com apetite para roubar o mercado dos navios e transatlânticos, era o dirigível. Nada mais do que um sofisticado balão, os dirigíveis foram desenvolvidos no fim do século XIX na Alemanha, mas decolaram com força na década de vinte, do século passado, quando assumiram um papel de transporte de passageiros.


A proposta não podia ser mais sustentável. Popularizados mundialmente com o nome do primeiro modelo, os Zepellins voavam com sustentação de hidrogênio e movidos por hélices motorizadas. O dirigível era o sonho do que se busca hoje. Não polua o ar. E mais. Era pra lá de silencioso.


Como a Alemanha sofria uma série de restrições econômicas devido às punições pelos estragos da Primeira Guerra Mundial, a produção dos Zepellins era limitada e restrita ao uso civil, já que o modelo foi usado pela máquina militar alemã para realizar bombardeios no conflito. Em 1926, os Estados Unidos encomendaram um modelo para uso da Marinha americana, o que serviu de aval para o prosseguimento do projeto alemão.


Foram construídos dois dirigíveis, o Zeppelin e o Hindenburg. As rotas, além das internas na Alemanha, incluía uma para o Rio de Janeiro, com escala em Recife. Mais tarde os Estados Unidos também foram incluídos como destino, sendo Nova York o porto de entrada. O desembarque e embarque eram realizados uma base militar de Lake Hurst, no estado de Nova Jersey.


O entusiasmo com a novidade foi tamanho que os americanos, vislumbrando um potencial sucesso econômico do novo serviço, estudaram a possibilidade de oferecer conforto aos passageiros com embarque e desembarque no centro de Manhattan. Mais precisamente, no recém inaugurado Empire State Building, o prédio mais alto do mundo na época. A torre no terraço seria usada para suporte do dirigivel, e o embarque lá no terraço. A experiência seria mais que inovadora. Seria exótica!


A ideia foi descartada pelo alto risco com a instabilidade do tempo. Vento e chuva representavam muito risco para a operação. A cautela provou-se coerente quando em 1937, num procedimento de pouso em Lake Hurst, o Hindenburg, em pouso em dia de chuva, e nublado, explodiu, matando 36 das 97 pessoas à bordo. Aparentemente a causa foi uma descaraga elétrica, versão ainda hoje contestada.


A tragédia expôs a explosiva fragilidade de uma aeronave movida a um combustível inflamável. O nitrogênio foi vencido pelo petróleo que injetou a energia que a aviação precisava para conectar todos os pontos do mundo, com milhões de pessoas transportadas todos os anos. Com velocidade, e hoje com um grau de segurança impecável, a aviação reina nos céus do mundo.


A questão hoje é o custo ambiental. Não há nada no plano de voo da aviação comercial que aponte para uma solução sustentável ampla, que coloque todos sobre a mesma asa de uma combustível verde. Quem vai desbancar o petróleo no ar?